Os hospitais e os doentes enfrentam tempos de espera mais longos devido a processos cirúrgicos ineficientes e a obstáculos à navegação contínua dos cuidados. Nesta história de sucesso, a equipa clínica do CICA – Centro Integrado de Cirurgia de Ambulatório – da Unidade Local de Saúde de Santo António partilha como a digitalização das jornadas dos doentes e a automatização das avaliações pré-anestésicas e do seguimento pós-cirúrgico transformaram os cuidados prestados, tornando-os mais seguros, eficientes e centrados no doente.
Dados do Hospital:
As longas listas de espera para cirurgias eletivas constituem um desafio constante para os doentes e uma preocupação major para os gestores hospitalares. Para os doentes, os atrasos significam dor e incapacidade prolongadas, adiando os benefícios do tratamento. Estes atrasos podem também ter implicações financeiras graves para os hospitais, afetando a eficiência operacional e a alocação de recursos.
As causas subjacentes aos tempos de espera cirúrgicos são diversas. Um fator chave é a falta de recursos, incluindo pessoal insuficiente — frequentemente sobrecarregado com tarefas que não correspondem às suas qualificações — e disponibilidade limitada de equipamento. Adicionalmente, as ineficiências e barreiras na navegação dos cuidados conduzem a taxas mais elevadas de faltas de comparência e cancelamentos intraoperatórios, agravando ainda mais as listas de espera.
Problema
Taxas elevadas de faltas de comparência e cancelamentos cirúrgicos devido a uma navegação deficiente dos doentes;
Segurança limitada dos doentes na alta precoce;
Incapacidade de adaptar os fluxos de trabalho perioperatórios com base no risco individual do doente.
Objetivos do Projeto
Padronizar as avaliações perioperatórias com percursos estruturados e baseados em evidência;
Otimizar os processos pré-operatórios para reduzir o tempo dos anestesiologistas dedicado a doentes de baixo risco;
Reduzir a duração das consultas e minimizar o tempo dedicado à documentação ao longo de toda a jornada perioperatória;
Reforçar a confiança das equipas e a segurança dos doentes na alta, garantindo a identificação precoce de sinais de alarme após a hospitalização;
Reduzir a necessidade de intervenção da equipa hospitalar na monitorização do seguimento.
A
jornada perioperatória foi implementada. Funciona como uma ligação vital entre a equipa de cuidados clínicos e o doente. Atuando como uma extensão dos serviços de saúde, visa reforçar o envolvimento do doente, realizar avaliações essenciais e conciliar as necessidades médicas do doente com a sua disponibilidade pessoal.
Otimização da pré-avaliação do risco anestésico para reforçar a eficiência das equipas e melhorar a preparação do doente.
A nossa solução determina automaticamente o nível de risco global do doente, combinando a classificação ASA (I–IV), obtida através de um questionário ao doente, com o risco cirúrgico. Isto permite uma avaliação de risco individual abrangente. Com base nos resultados, são recomendadas medidas diagnósticas ou terapêuticas adicionais, e é avaliada a necessidade de uma consulta de anestesia presencial ou remota. Os doentes de baixo risco são encaminhados diretamente para a cirurgia, permitindo que as equipas de anestesia se concentrem nos casos mais complexos.
“Uma das nossas principais preocupações é o risco de falhas no agendamento ou de faltas de comparência do doente no dia da cirurgia. Um desafio ainda maior surge quando o doente chega ao hospital conforme agendado, mas a cirurgia não pode avançar. Esta implementação ajuda a mitigar estes riscos, garantindo um fluxo cirúrgico mais eficiente e prevenindo disrupções críticas.”
Duarte Rego, Dr.
Cirurgião Vascular
“Os principais objetivos deste projeto são prevenir cancelamentos cirúrgicos de última hora, faltas de comparência e readmissões hospitalares. Adicionalmente, visa garantir a segurança do doente ao longo de toda a jornada clínica, antes e depois da cirurgia.”
Maria do Sameiro Caetano Pereira, Dra.
Diretora do CICA (Centro Integrado de Cirurgia de Ambulatório)
Capacitação do doente e melhor adesão aos planos de cuidados
A cirurgia pode ser uma experiência avassaladora, mas educar os doentes sobre aspetos-chave — como o procedimento em si, a anestesia, os cuidados intraoperatórios e a gestão da dor pós-operatória — ajuda a reduzir a ansiedade, reforçar a adesão às orientações pré-cirúrgicas e apoiar uma recuperação mais rápida. Isto conduz a melhores resultados cirúrgicos e a menos faltas de comparência. A solução da UpHill fornece informação personalizada e clinicamente validada, adaptada à condição de cada doente e à sua jornada perioperatória, garantindo que se sente informado, preparado e confiante em cada etapa do processo.
“Esta abordagem irá reforçar o sentimento de segurança do doente, o que por sua vez melhora a sua literacia em saúde. Ao gerir todos os aspetos do processo, alcançaremos também um objetivo chave: aumentar a complexidade dos doentes elegíveis para cirurgia de ambulatório.”
Sílvia Neves, Dra.
Cirurgiã Geral
Automatização do seguimento para deteção precoce de agravamentos clínicos
Uma monitorização pós-cirúrgica eficaz reforça a segurança do doente e confere aos médicos maior confiança nas decisões de alta. O sistema automatizado de seguimento pós-alta da UpHill utiliza questionários clinicamente validados para acompanhar a recuperação do doente em tempo real. Através da monitorização contínua do progresso, este sistema permite a deteção precoce de sinais de alarme, garantindo intervenções atempadas e melhores resultados para o doente.
“O seguimento pós-operatório deixa de exigir intervenção humana. Em vez disso, um sistema de triagem de segurança garante que nenhuma situação é negligenciada, aplicando uma perspetiva clínica sempre que necessário para manter a segurança e a qualidade dos cuidados.”
Duarte Rego, Dr.
Cirurgião Vascular
“O nosso objetivo é proporcionar a quem procura a nossa ajuda o mais elevado nível de cuidado e atenção. Na cirurgia de ambulatório, isto significa expandir os cuidados no domicílio, mantendo simultaneamente o nosso acompanhamento próximo ao longo de todo o processo.”
Daniela Matos
Enfermeira Especialista em Funções de Gestão
Detalhes e destaques da solução
Um percurso de cuidados baseado na melhor evidência, adaptado ao contexto local.
Uma abordagem omnicanal para recolher informação do doente através de canais familiares (SMS, chamadas telefónicas e email).
Sem dispositivos invasivos ou procedimentos médicos.
Utilização de questionários validados e automatizados.
Utilização inteligente dos dados recolhidos para atualizar o estado do doente.
Estratificação automática do risco do doente.
Capacidades de interoperabilidade para ligar diferentes sistemas e reduzir a repetição de tarefas.
Alertas automáticos para notificar as equipas de saúde sobre sinais de descompensação do doente.
Dashboard com dados agregados para monitorização das jornadas dos doentes.
Conformidade com o RGPD e certificações ISO27001 e ISO13485.
Aviso Legal
Estes dados são específicos deste caso de uso nesta instituição e são apresentados como exemplo de como o UpHill Route melhora indiretamente os processos de gestão de doentes num contexto em que são utilizados sistemas de apoio à decisão clínica. Os dados foram recolhidos pela própria instituição. O UpHill Route não reivindica qualquer benefício clínico direto que conduza à redução de readmissões, ao aumento do acesso, ou à redução de consultas desnecessárias.