Encurtar distâncias: cuidados proativos e centrados no doente para a doença respiratória crónica no Alentejo Litoral
Enquadrado num Percurso Assistencial Integrado da Pessoa com Multimorbilidade mais alargado, o programa CONSIGO reflete a escala e a geografia da região a que dá resposta.
Distribuída por uma das regiões de saúde mais despovoadas e geograficamente mais extensas de Portugal continental, a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) enfrenta um desafio que muitos sistemas de saúde urbanos não conhecem: a própria distância é uma barreira aos cuidados. O CONSIGO, programa de cuidados integrados para pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), é a resposta da ULSLA, concebida em torno da gestão proativa da doença crónica, da prevenção de descompensações e da proximidade aos doentes onde quer que vivam.
Dados da região:
Uma população estimada de 100.000 habitantes nos 5 concelhos abrangidos pela ULSLA;
Mais de 5.300 km² de território, uma das áreas de abrangência mais extensas e dispersas de qualquer ULS em Portugal;
1 hospital e 5 centros de saúde de cuidados primários, um por concelho.
O problema
Um modelo ainda largamente reativo na gestão da doença crónica, em particular para condições como a DPOC, que exigem um acompanhamento contínuo e proativo em vez de cuidados episódicos;
Iniquidades geográficas significativas no acesso aos cuidados, resultantes de uma área de abrangência superior a 5.300 km² com uma população dispersa e envelhecida;
Uma experiência fragmentada para os doentes com multimorbilidade, que frequentemente necessitam da intervenção coordenada de várias especialidades e níveis de cuidados sem um percurso claramente definido e partilhado que oriente essa coordenação;
Um apoio estruturado limitado para que doentes e cuidadores consigam autogerir uma doença crónica como a DPOC entre contactos clínicos.
“Este programa é fundamental porque a DPOC tem um impacto social e económico significativo nos doentes, muitos dos quais ainda estão em atividade profissional. Ao centrarmo-nos numa abordagem proativa, o programa ajuda-nos a gerir os seus cuidados de forma eficaz e a responder às suas necessidades antes que sofram complicações de saúde graves.
”
Teresa Bernardo
Médica, Especialista em Medicina Interna
Objetivos do projeto
Mudar o paradigma na gestão da doença crónica, passando de uma abordagem reativa para uma proativa, com deteção mais precoce e prevenção de descompensações;
Superar barreiras geográficas, em particular para doentes em zonas mais isoladas da região, através da monitorização e comunicação à distância;
Estabelecer uma rede de cuidados coesa, sustentável, continuada e centrada na pessoa para quem vive com DPOC;
Reforçar a capacidade dos doentes e cuidadores para autogerirem a doença crónica, apoiada numa educação estruturada e num acompanhamento contínuo.
O CONSIGO insere-se no Percurso Assistencial Integrado da Pessoa com Multimorbilidade da ULSLA, refletindo uma aposta deliberada na integração de cuidados como resposta a uma população com necessidades crescentes ao nível da cronicidade.
Os doentes diagnosticados com DPOC são identificados e acompanhados ao longo de um percurso assistencial que define a abordagem mais adequada para cada pessoa, com base numa avaliação multidisciplinar e na estratificação do risco individual, num percurso mapeado, definido e partilhado entre as unidades da ULSLA, disponibilizado em formato digital que mantém a mesma informação acessível a todas as equipas, em todas as unidades, em cada ponto de contacto.
Um modelo proativo e de proximidade, assente na coordenação, na antecipação e no uso eficiente dos recursos
1. Uma jornada multidisciplinar que coordena os cuidados entre níveis assistenciais — e mantém os cuidados perto de casa
O CONSIGO reúne médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos de cardiopneumologia em torno de um único percurso assistencial partilhado para cada doente, em vez de deixar a coordenação entre especialidades ao acaso. O próprio percurso é digital, está mapeado e é partilhado por todas as unidades da ULSLA, de modo a que cada equipa disponha da mesma informação para tomar as melhores decisões para cada doente, seja em que ponto da região for atendido. É precisamente por esse percurso ser partilhado e claramente definido que as equipas de cuidados primários podem assumir a gestão contínua de um doente com DPOC sem que este tenha de se deslocar sempre ao hospital.
2. Antecipar necessidades e prevenir complicações através de monitorização automatizada
Em vez de depender apenas de consultas agendadas, o CONSIGO recorre a estratégias de monitorização e comunicação à distância para manter um contacto contínuo com os doentes entre consultas. Isto reduz as iniquidades geográficas que, de outro modo, limitariam o acesso, e permite à equipa assistencial detetar alterações no estado do doente a tempo de atuar antes que se agravem.
3. Estratificação do risco e uso eficiente dos recursos
Nem todos os doentes precisam do mesmo nível de atenção ao mesmo tempo. Ao saber exatamente quais os doentes estáveis e quais precisam de uma atenção mais próxima, e que tipo de cuidados, a equipa multidisciplinar consegue direcionar cada pessoa para o nível de cuidados mais adequado.
“Este percurso assistencial digital ajuda-nos a estratificar e a identificar os doentes com DPOC, e as capacidades de automação permitem-nos detetar os doentes estáveis e aqueles que precisam de cuidados mais personalizados.”
Victor Gomes
Enfermeiro Especialista em Reabilitação
4. Capacitar os doentes para a autogestão da sua condição
Através de apoio à literacia em saúde, presencial e à distância, os doentes desenvolvem os conhecimentos e as competências necessários para gerir uma doença crónica como a DPOC no seu dia a dia, reconhecendo sinais de alerta, compreendendo o seu tratamento e sentindo-se menos à mercê da doença entre episódios clínicos. Para uma condição com a qual os doentes convivem muitas vezes durante décadas, essa mudança, de recetor passivo de cuidados a participante ativo na sua gestão, é tão central para os objetivos do programa como qualquer intervenção clínica.
“A autogestão, especificamente, significa que o doente consiga gerir a sua própria medicação, controlar sintomas como a falta de ar e a ansiedade, melhorar a sua capacidade física e adotar um estilo de vida mais saudável em geral.”
Carla Cruzinha de Sousa
Fisioterapeuta, Coordenadora do Programa Consigo
Como isto se traduz no Alentejo Litoral: doença respiratória crónica (DPOC)
Para uma condição como a DPOC, com um impacto económico e social crescente, e um forte peso na qualidade de vida dos doentes, o programa CONSIGO organiza os cuidados em torno de três pilares de gestão da doença: a cessação tabágica, como a única forma de travar a progressão da doença; a terapêutica farmacológica, através de broncodilatadores inalatórios que aliviam sintomas como a falta de ar e reduzem a carga inflamatória que provoca as exacerbações; e a abordagem não farmacológica, que inclui o treino de técnicas ventilatórias e o condicionamento aeróbico e muscular, que, praticados com regularidade, se associam a ganhos reais na capacidade diária dos doentes para viver com a doença.
A componente de educação e literacia em saúde do programa, disponibilizada tanto presencialmente como à distância, é central para esse terceiro pilar, reforçando a vertente de autogestão descrita anteriormente.
Detalhes e destaques da solução
Plataforma de Automação Clínica da UpHill implementada como base do Percurso Assistencial Integrado da Pessoa com Multimorbilidade da ULSLA, começando pela DPOC através do programa CONSIGO;
Um único percurso assistencial digital e partilhado entre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos de cardiopneumologia, substituindo a coordenação pontual entre especialidades;
Cuidados de proximidade integrados no modelo: as equipas de cuidados primários conseguem gerir os doentes com DPOC de forma contínua sem deslocações rotineiras ao hospital;
Monitorização e comunicação à distância concebidas especificamente para compensar as iniquidades geográficas numa região distribuída por mais de 5.300 km²;
Contacto com o doente através de múltiplos canais - chat, e-mail e voice AI -, adaptando-se à forma como cada doente se sente mais confortável a interagir;
Estratificação do risco que direciona a atenção clínica de acordo com a necessidade de cada doente, distinguindo doentes estáveis dos que precisam de um acompanhamento mais próximo;
Uma forte componente de educação e literacia em saúde para doentes e cuidadores, disponibilizada presencialmente e à distância, capacitando os doentes para autogerirem a sua doença crónica entre contactos clínicos;
Concebido como parte de um modelo mais amplo e replicável para os cuidados à multimorbilidade, e não como um programa isolado limitado a uma única condição.
Aviso legal
Estes dados são específicos deste caso de uso nesta instituição e são apresentados como exemplo de como a UpHill Route apoia indiretamente os processos de gestão de doentes num contexto em que são utilizados sistemas de apoio à decisão clínica. Os dados subjacentes foram recolhidos pela própria instituição. A UpHill Route não reivindica qualquer benefício clínico direto que resulte na redução de reinternamentos, no aumento do acesso ou na redução de consultas desnecessárias.